terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A mulher cristã deve usar véu ou cobrir a cabeça na igreja?

A mulher cristã deve usar véu ou cobrir a cabeça na igreja?


A mulher cristã pode usar véu na igreja se quiser mas a Bíblia não obriga. Cada mulher deve decidir de acordo com sua consciência sobre o assunto. Só há uma passagem sobre o uso do véu na Bíblia e ninguém vai para o inferno por cobrir ou deixar de cobrir a cabeça.

O véu na Bíblia

Em 1 Coríntios 11:3-16, Paulo defende que as mulheres devem cobrir a cabeça quando oram ou profetizam. Ele compara a mulher de cabeça descoberta com a mulher de cabeça rapada e defende que tanto homens como mulheres se devem vestir de forma decente e honrosa.
Naquele tempo, em Corinto só uma prostituta rapava ou cortava seu cabelo curto. As mulheres decentes usavam um véu sobre a cabeça em público para mostrar que tinham marido e não estavam disponíveis. Mulheres sem véu na cabeça podiam ser consideradas imorais. A imoralidade sexual era um problema em Corinto e Paulo não queria que a forma de vestir das pessoas piorasse o problema.

Paulo também levanta a questão da humildade e da honra devida a Deus. Durante o culto, toda a honra e atenção pertence a Deus. O cabelo era a glória da mulher, sua forma de se exibir. Por isso, ela devia cobrir a cabeça (ou cortar o cabelo) para mostrar que estava debaixo da autoridade de Deus; a atenção não devia estar na sua aparência. Do mesmo jeito, o homem devia ter a cabeça descoberta porque seu cabelo não era sua glória mas um chapéu era uma adorno. Tal como tirar o chapéu era uma forma de o homem mostrar respeito, cobrir a cabeça era uma forma de a mulher mostrar respeito (1 Coríntios 11:6-7).
Dentro da igreja, as pessoas devem seguir as normas culturais de decência. Por exemplo, no Paquistão a mulher decente ainda usa véu, por isso na igreja no Paquistão também convém usar véu. Mas uma mulher decente no Brasil pode andar na rua com a cabeça descoberta e ter cabelo curto. Isso não significa que é uma mulher imoral nem rebelde. Então não é necessário que use dentro da igreja. É por isso que a Bíblia diz que cada igreja deve decidir se convém ou não a mulher ter a cabeça descoberta (1 Coríntios 11:13).

Se a mulher quer usar o véu por motivos de consciência, ela pode. Ninguém a obriga a ter a cabeça descoberta se isso lhe é constrangedor. Mas também não deve ser obrigatório usar véu onde não é culturalmente relevante. Independentemente de sua opinião sobre o assunto, a Bíblia diz que não é um assunto sobre a qual vale a pena fazer polêmica (1 Coríntios 11:16).

A Bíblia é confiável? A Bíblia foi adulterada?

A Bíblia é confiável? A Bíblia foi adulterada?



A Bíblia é confiável? A Bíblia foi adulterada?

“E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais”. (João 19:35; veja 21.24).

 “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida…. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1:1,3).

Sim, a Bíblia é confiável. Não há nenhum outro livro da Antiguidade com autenticidade tão bem comprovada como a Bíblia. A quantidade de evidência é avassaladora.

A arqueologia, através dos pergaminhos e manuscritos encontrados, mostra que o conteúdo da Bíblia vem se mantendo o mesmo por um longo período de tempo. Achados de 2 mil anos atrás, como o livro de Isaias nos manuscritos do Mar Morto, possuem praticamente o mesmo conteúdo da Bíblia atual, assim como partes do Novo Testamento encontradas, correspondem ao conteúdo atual da Bíblia.

Essa perfeita transmissão entre as cópias por quase dois mil anos, não deixam dúvidas que a primeira cópia também foi fiel ao documento original. As variações nas palavras decorrentes das traduções são normais e não chegam a comprometer a mensagem bíblica, pois como a Bíblia  é toda interligada, a mesma mensagem pode ser confirmada em vários outros livros que fazem parte dela.

Nâo há qualquer indício ou prova de adulteração ou de autoria composta de um mesmo livro na Bíblia. Os escribas escreveram em regiões diversas e utilizaram fontes diferentes e mesmo assim o conteúdo bíblico vem sido mantido com fidelidade ao longo de milhares de anos , parece difícil para alguns acreditarem mas essa é a realidade, como provam os achados arqueológicos.
Quantas cópias antigas da Bíblia há?
Já foram encontradas centenas de cópias antigas da Bíblia ou fragmentos da Bíblia. Algumas dessas cópias datam de apenas algumas décadas depois da escrita dos livros originais. Isso é espantoso, não há nenhum outro livro da Antiguidade com tantas cópias tão perto da data original. Pôr em causa a autenticidade da Bíblia é pôr em causa praticamente toda a História e Literatura da Antiguidade!

A Bíblia foi modificada?
Não, a Bíblia que chegou até nós hoje não sofreu nenhuma modificação importante.Antes da invenção da imprensa, os textos da Bíblia eram copiados à mão. As versões mais antigas eram escritas em Aramaico, Grego e Latim. Os escribas e os monges que copiavam os textos eram extremamente cuidadosos em seu trabalho, porque a Palavra é sagrada.
Antigamente, a cópia mais antiga encontrada do livro de Isaías datava de quase 1000 anos depois de Cristo, quando a Igreja já estava bem estabelecida. Quando os manuscritos do Mar Morto foram descobertos, foi encontrado uma cópia de Isaías cerca de 1000 anos mais antigo. Peritos compararam as duas cópias e descobriram que o texto quase todo era igual! E mais, as diferenças encontradas eram só pequenos erros ortográficos, nada que modificasse o sentido do texto.
A autenticidade de alguns trechos de alguns livros da Bíblia tem sido debatida. Mas esses trechos normalmente são introduções ou conclusões de livros, que em nada alteram a mensagem. A Bíblia que temos hoje é muito confiável.
A Bíblia tem erros?
Sim, a Bíblia tem erros mas são tão pequenos que são irrelevantes. Não há nenhum erro ou discrepância que põe em causa a mensagem da Bíblia. A maioria dos erros são:
·         Erros ortográficos ou de gramática
·         Traduções imperfeitas
·         Ligeiras diferenças em datas
·         “Erros” que não são erros (parecem erros à primeira vista mas têm explicação lógica)
Todos os erros juntos não ocupam nem 1% do texto todo da Bíblia! Compre um jornal e conte quantos erros tem. Quantos desses erros modificam drasticamente o sentido do texto? A Bíblia provavelmente tem menos erros que o jornal.

Muitas pessoas são da opinião que os ensinos da Bíblia são desatualizados, contraditórios e cheios de erros científicos e históricos. Com algumas exceções, eles chegaram a essas conclusões por fontes de segunda e terceira mãos ao invés de seus próprios estudos da Bíblia.
A Quantidade de Manuscritos
No caso do Antigo Testamento, existe um número menor de manuscritos Hebraicos, porque os escribas judeus enterravam cerimonialmente os manuscritos imperfeitos e desgastados. Muitos manuscritos antigos foram perdidos ou destruídos durante a história turbulenta de Israel. Também, o Antigo Testamento foi padronizado pelo texto Massorético judeu no século sexto d.C., e todos os manuscritos que se desviaram do Texto Massorético foram eliminados. Mas os manuscritos hebraicos existentes são suplementados pelos Rolos do Mar Morto, a Septuaginta (uma tradução grega do Antigo Testamento do Terceiro Século a.C.), o Pentateuco Samaritano e os Targuns (paráfrases antigas do Antigo Testamento), como também o Talmude (ensinos e comentários relacionados as Escrituras Hebraicas).
A quantidade dos manuscritos do Novo Testamento não tem paralelos na literatura antiga. Exitem mais de 5.000 manuscritos Gregos, 8.000 manuscritos em Latim e outros 1.000 manuscritos em outras línguas (Siríaco, Copta, etc.). Somando a esse número extraordinário, existem centenas de milhares de citações de passagens do Novo Testamento pelos antigos pais da igreja. Em contraste, o número típico de cópias de manuscritos existentes para qualquer obra dos autores Gregos ou Latinos, tais como Platão, Aristóteles, César ou Tácito, varia de 1 a vinte.

A Bíblia é historicamente confiável?


Um agnóstico afirmou que a historiografia moderna não aceita a Bíblia como fonte histórica confiável, ou seja, que as Escrituras não recebem o endosso da História. Ele cita certos fatos sobrenaturais, narrados na Palavra de Deus, como a destruição de Sodoma e Gomorra, as pragas do Egito, a destruição de Jericó, e outros eventos miraculosos, como meras lendas. Eu pergunto: Qual a real posição da moderna historiografia em relação à Bíblia? Há indícios arqueológicos para os acontecimentos acima mencionados? – F. 

A aceitação ou não da veracidade bíblica vai depender do paradigma que a pessoa adota. Se a pessoa está disposta a crer, verá evidências da confiabilidade bíblica; por outro lado, se a pessoa parte do pressuposto de que a Bíblia é uma coleção de fábulas, interpretará os fatos sob essa ótica. Na verdade, não há perigo na dúvida, desde que se esteja disposto a acreditar.

Muitos achados arqueológicos confirmaram e têm confirmado a parte histórica das Escrituras, e há muitos bons livros sobre esse assunto. Devido ao espaço, seria quase impossível mencionar aqui todas as descobertas arqueológicas que têm confirmado a inerrância bíblica.
A Qualidade dos Manuscritos
Por causa da grande reverência que os escribas Judeus mantinham com respeito às Escrituras, eles exerceram extreme cuidado em fazer novas cópias da Bíblia Hebraica. O processo inteiro de cópia era especificada em detalhes minuciosos para minimizar a possibilidade de até mesmo um erro mínimo. As letras, palavras e linhas eram contadas e as letras medias do Pentateuco e do Antigo Testamento foram determinadas. Se um simples erro fosse descoberto, o manuscrito inteiro era destruído. Como resultado desse cuidado extremo, a qualidade dos manuscritos da Bíblia Hebraica supera todos os outros manuscritos antigos. A descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947 proveu uma verificação significante, porque esses manuscritos Hebraicos são anteriores aos antigos manuscritos Massoréticos do Antigo Testamento cerca de 1.000 anos. Mas apesar desse espaço de tempo, o número de leituras variantes entre os Rolos do Mar Morto e o Texto Massorético é muito pequeno e a maioria dessas variações são de ortografia e estilo.
Enquanto a qualidade dos manuscritos do Antigo Testamento é excelente, a do Novo Testamento é muito boa – consideravelmente melhor do que a qualidade dos manuscritos de outros documentos antigos. Por causa dos milhares de manuscritos do Novo Testamento, existem muitas leituras variantes, mas essas variantes são, na verdade, usados pelos estudiosos para reconstruir a leitura original, determinando que variante explica melhor as outras passagens em determinado trecho.
Algumas dessas leituras variantes entraram nos manuscritos por causa dos erros visuais de cópia ou por erros de audição, quando um grupo de copistas copiou manuscritos que foram lidos em voz alta. Outros erros resultaram de escrita defeituosa, memória e julgamento, e ainda outros de copistas bem intencionados que pensavam que estavam corrigindo o texto. Contudo, somente um pequeno número dessas diferenças afeta o sentido das passagens, e somente uma fração dessas tem qualquer conseqüência real. Além disso, nenhuma leitura variante é significante o suficiente para questionar qualquer doutrina do Novo Testamento. O Novo Testamento pode ser considerado como 99.5% puro, e as correções para os 0.5% podem com freqüência ser verificadas com um grau de probabilidade razoável pela prática da crítica textual.
O Espaço de Tempo Entre os Manuscritos
A parte de alguns fragmentos, o antigo manuscrito Massorético do Antigo Testamento é datado de 895 d.C., devido à destruição sistemática dos manuscritos desgastados pelos escribas massoretas. No entanto, a descoberta dos Rolos do Mar Morto, datando de 200 a.C. a 68 d.C., reduziu drasticamente o espaço de tempo entre da escrita dos livros do Antigo Testamento as nossas cópias antigas deles.
O espaço de tempo dos manuscritos do Novo Testamento é excepcional. Os manuscritos em papiros vieram do segundo e terceiro séculos d.C. O fragmento John Rylands (P52) do evangelho de João é datado em 117-38 d.C., somente algumas décadas após o evangelho ter sido escrito. O Papiro Bodmer é datado de 175-225 d.C., e o Papiro Chester Beatty data de 250 d.C. O espaço de tempo da maioria do Novo Testamento é menos do que 200 anos (e alguns estão dentro de 100 anos) data de autoria à data de nossos antigos manuscritos. Isso  contrasta acentuadamente com a diferença media de mais de 1.000 entre a composição e a cópia antiga dos escritos de outros autores antigos.
Para resumir o teste bibliográfico, o Antigo e Novo Testamento desfruta de muito maior atestação em manuscritos em termos de quantidade, qualidade e espaço de tempo do que qualquer outro documento antigo. É especialmente interessante fazer comparações especificas entre o Novo Testamento e outros escritos.

O Teste Externo
Porque as Escrituras se referem continuamente a eventos históricos, esses eventos são verificáveis; essa precisão pode ser verificada pelas evidências externas. Os detalhes cronológicos no prólogo de Jeremias (1:1-3) e em Lucas 3:1-2 ilustra isso. Ezequiel 1.2 nos permite datar a primeira visão de Ezequiel de Deus para o dia 31 de Julho de 592 a.C. A historicidade de Jesus Cristo é bem estabelecida por fontes Romanas, Gregas e Judaicas antigas, e esses escritos extra-bíblicos afirmam maiores detalhes do Senhor Jesus no Novo Testamento. O historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo fez referências específicas a João Batista, Jesus Cristo e Tiago em suas Antiguidades Judaicas. Nessa obra, Josefo nos dá muitos detalhes sobre Herodes, os Saduceus e Fariseus, o sumo sacerdote como Anás e Caifás e os imperadores romanos mencionados nos evangelhos e em Atos.
Nós encontramos outras referências seculares antigas a Jesus em uma carta escrita pouco depois de 73 d.C., por um prisioneiro Sírio chamado Mara Bar-Serapião. Essa carta escrita a seu filho compara a morte de Sócrates, Pitágoras e Cristo. Outros escritores do primeiro e segundo século que mencionam Cristo incluem os Historiadores Cornélio Tácito (Anais) e Suetônio (Vida de Cláudio, Vida dos Césares), o governador Romano Plínio o Jovem (Epístolas) e o satirista Grego Luciano (A morte do Peregrino). Jesus também é mencionado um número de vezes no Talmude Judaico.
O Antigo e o Novo Testamento fazem referências abundantes a nações, reis, batalhas, cidades, montanhas, rios, edifícios, tratados, costumes, economia, política e datas, etc. Pelo fato das narrativas da Bíblia ser tão específicas, muitos de seus detalhes são abertos pela investigação arqueológica. Enquanto nós não podemos dizer que a arqueologia prova a autoridade da Bíblia, é justo dizer que a evidência arqueológica proveu centenas de confirmações externas das declarações bíblicas.







Analise de alguns achados que confirmam relatos bíblicos.

O rei Davi – Escavações arqueológicas nas ruínas da antiga cidade israelita de Dã, na alta Galiléia, em 1993, revelaram um achado impressionante: uma pedra de basalto com inscrições. O arqueológo Avraham Biran, do Hebrew Union College de Jerusalém, logo identificou a pedra como parte de uma estela datada do século 9 a.C. Aparentemente, comemorava a vitória do rei de Damasco sobre dois inimigos: o rei de Israel e a Casa de Davi. A referência histórica a Davi caiu como uma bomba. O nome do rei de Israel nunca fora antes encontrado em nenhum documento antigo, além da Bíblia. Mas ali estava uma inscrição feita não por um escriba hebreu, mas por um inimigo dos israelitas, pouco mais de um século após a época em que Davi vivera. Essa descoberta não só confirmou a existência do rei como também sua dinastia.

Kenneth A. Kitchen, egiptólogo e orientalista aposentado pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, afirma que a arqueologia e a Bíblia “se harmonizam” quando descrevem o contexto histórico das narrativas dos patriarcas. Um exemplo: José, um dos filhos de Jacó, foi vendido como escravo por 20 moedas de prata (ver Gênesis 37:28). Kitchen assinala que esse era o exato preço de um escravo naquela região, naquela época, como ficou comprovado por documentos recuperados na região que é hoje a Síria e o Iraque.

Outros documentos revelam que o preço de escravos subiu de forma contínua nos séculos seguintes. Se a história de José tivesse sido inventada por um escriba judeu do 6º século, como sugerido por alguns céticos, por que o valor citado não corresponde ao preço da época?

O Êxodo – Embora haja os que contestem este que é um dos relatos mais importantes da Bíblia Hebraica – o Êxodo –, Nahum Sarna, professor de estudos bíblicos da Universidade de Brandeis, afirma que o relato do Êxodo “não pode, de modo algum, ser uma peça de ficção. Nenhuma nação inventaria para si mesma uma tradição assim tão inglória”, a menos que houvesse um núcleo verídico. E William G. Dever, arqueólogo da Universidade do Arizona, observa: “Escravos, servos e nômades costumam deixar poucos traços nos registros arqueológicos.” Daí não se ter encontrado vestígios arqueológicos do Êxodo.

Já o Dr. Paulo Bork, que fez cursos em várias universidades, como a Pacific School of Religion, da Califórnia, a Universidade Hebraica de Jerusalém e a Universidade de Londres, Inglaterra, e que participou de diversas pesquisas e expedições arqueológicas ao redor do mundo, afirma que “sempre existirão aqueles que não crêem na Bíblia e a criticam. Muitos deles não vão mudar sua forma de pensar, independentemente das evidências arqueológicas. Por outro lado, temos descoberto tantas evidências que iluminam a parte histórica da Bíblia que isso tem tornado muitos céticos em crentes”.

Sodoma e Gomorra – O Dr. Bork, mencionado acima, numa entrevista que me concedeu há algum tempo, disse: “Escavamos aquela região por vários anos e descobrimos coisas muito interessantes, que respaldam o relato bíblico. Existiam cinco cidades na parte leste do Mar Morto. Quando as escavamos, encontramos grande quantidade de cinzas. Em alguns lugares havia uma camada de um metro de cinzas. Não há outra maneira de explicar tamanha destruição e tanta cinza em um só local, a não ser pelo trágico relato de Gênesis.”

A Criação e o Dilúvio – Importantes documentos como o Enuma Elish, o Épico de Atrahasis e o Épico de Gilgamesh possuem fortes paralelos com a descrição bíblica da criação do mundo, a queda do ser humano e a vinda de um dilúvio sobre a Terra. Por causa dessas similaridades, alguns historiadores têm sugerido que o relato bíblico não passa de um plágio de documentos mais antigos. Entretanto, como destaca Rodrigo Pereira da Silva, doutor em Teologia do Novo Testamento pela Pontifícia Faculdade Católica de Teologia N. S. Assunção, em São Paulo, e especializado em Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, “as diferenças (que são muito mais significativas que as similaridades) fazem supor não uma cópia de material, mas antes uma referência múltipla aos mesmos eventos”. No antigo Oriente Próximo, a regra é que relatos e tradições podem surgir (por acréscimo ou embelezamento) na elaboração de lendas, mas não o contrário. No antigo Oriente, as lendas não eram simplificadas para se tornar pseudo-história, como tem sido sugerido para o Gênesis.

O Dr. Ariel Roth, autor do livro Origens – Relacionando a Ciência com a Bíblia, analisou cerca de 300 mitos da Criação encontrados entre tribos indígenas norte-americanas e concluiu que, a despeito de certa variação de costumes e outros fatores culturais, os mais variados grupos se encontravam em alguns temas principais. Por que essas similaridades de idéias míticas e imagens abundam em culturas tão distantes umas das outras? “A resposta”, segundo o Dr. Rodrigo, “não poderia ser outra senão a de que todas as tradições se encontram num mesmo evento real que ocorreu em algum ponto da história antiga.”

“Seus elementos coincidentes apontam o tempo em que a raça humana ocupou o mesmo espaço e praticou a mesma fé”, diz o estudioso Merryl Unger. “Suas semelhanças se devem a uma mesma herança, onde cada raça de homens manteve, de geração em geração, os históricos orais e escritos da história primeva da raça humana.” O Gênesis, portanto, se torna o elemento de convergência literária dessas semelhanças e esboça a forma original dessas tradições hoje espalhadas pelo mundo.
Outro detalhe importante a se destacar: é bastante estranho (do ponto de vista da interdependência histórica) que a Bíblia apenas ecoasse outros mitos quando a mola mestra de sua teologia é o monoteísmo, que se choca frontalmente com a linguagem e a cosmovisão politeísta encontrada nos demais textos.

Conclusão – William F. Albright escreveu no Retrospect and Prospect in New Testment Archaelogy, pág. 29: “Todas as escolas radicais na crítica ao Novo Testamento que existiram no passado ou existem hoje são pré-arqueológicas, e por terem sido construídas são bastante antiquadas hoje.” E Paul Frischauer, no livro Está Escrito – Documentos que Assinalaram Épocas, pág. 103, afirma que “o que está escrito na Bíblia aconteceu efetivamente ... a credibilidade histórica dos eventos mais importantes, como a emigração do patriarca Abraão de Ur, na Suméria, o Êxodo do Egito e o cativeiro babilônico, pôde ser comprovada por escavações arqueológicas e por achados de inscrições hebraicas”.

terça-feira, 12 de abril de 2016

A interpretação das epístolas – Parte 1

A interpretação das epístolas – Parte 1

A partir desta lição começaremos a estudar os diferentes gêneros de literatura que compoem a Bíblia. Começaremos estudando as Epístolas. A razão para isto é que elas totalizam quase 50 por cento do Novo Testamento. Aparentemente parece ser fácil sua interpretação, afinal que mistério há em se compreender que todos pecaram e estão afastados da glória de Deus (Rm. 3:23)? Ou então qual a dificuldade na interpretação de que o salário do pecado é a morte (Rm. 6:23)? E ainda não temos dificuldade de entender que somos salvos pela graça por meio da fé (Ef. 2:8), não é mesmo?

Bom, para nosso estudo das Epístolas vamos usar como modelo I Coríntios. E em nosso objeto de estudo devemos tomar a opinião de Paulo como sendo Palavra de Deus (7:25)? E no caso da exclusão de um membro? Como isto se aplica hoje em dia quando há tantas igrejas, que basta apenas atravessar a rua (capítulo 5)? E como ficam as mulheres? Devem ou não usar véu nos dias de hoje?

Estes e outros exemplos serão estudados para sabermos como interpretar estes escritos de 2 mil anos que usamos ainda hoje.

1 A natureza das epístolas

Antes de comerçarmos a estudar I Corintios como nosso modelo vamos primeiro analisar a estrutra de uma carta, que contém, em geral, as seis partes seguintes:

1- o nome do escritor (ex. Paulo)
2- o nome do endereçado (ex. à Igreja de Deus em Corinto)
3- a saudação (ex. Graça a vós outros e paz da parte de nosso Deus e Pai…)
4- oração (ex. Sempre dou graças a Deus a respeito de vós…)
5- o corpo
6- a saudação final e despedida (ex. a graça do Senhor seja convosco)

Algumas cartas podem fugir um pouco deste padrão; é o caso da carta aos Hebreus.

Notemos que o autor pula todas as quatro primeiras partes e vai direto ao assunto. Vamos perceber também, durante a leitura, que esta carta não assume um tom muito pessoal, como muitas das cartas de Paulo por exemplo.

A carta de I João também não possui os elementos formais de uma carta comum, e assim como o autor de Hebreus, João parte diretamente ao assunto.

Tiago e II Pedro começam como cartas, tem os elementos iniciais, porém lhes falta a saudação final.

Estas cartas todas, parecem ter sido realmente escritas para um público geral, e não para alguém em particular.

Algo que todas as cartas têm em comum é o fato de serem ocasionais. Ou seja, embora tendo a ação do Espírito Santo, e servindo para nós nos dias de hoje, foram inicialmente escritas para o povo do século I. Esta é a maior dificuldade que encontramos na interpretação destes escritos. Como contextualizarmos os mandamentos para nós do século XXI ? Nas próximas lições vamos aprender como estudar e interpretá-las corretamente.

2  O contexto histórico

A primeira coisa a ser feita antes de comerçarmos a estudar e interpretar a Carta aos Coríntios é nos perguntar o que levou Paulo a escrever uma a eles. Outra coisa é procurarmos saber o máximo possível sobre a localidade onde viviam. Sabemos que pelos padrões da época Corinto era uma cidade relativamente nova. Devido à sua localização estratégica cresceu muito comercialmente, e era uma cidade bastante religiosa, com diversos templos de deuses espalhados pela cidade. Além disso, era uma cidade com muita cultura e sobretudo rica. Fazendo então uma análise rápida, podemos dizer que Corinto era uma mistura de Rio de Janeiro, São Paulo e Aparecida do Norte. Ou seja, não foi uma carta escrita para uma cidade do interior de Roraima. Mantendo estes dados em mente, nossa compreensão do assunto da carta será muito mais proveitoso.

A segunda coisa é tomarmos um tempo para lermos a carta toda de uma única vez. Afinal este é o processo de leitura quando lemos uma matéria no jornal ou um e-mail. Não tente nesta primeira leitura achar o significado de cada palavra ou frase, por hora é apenas a visão panorâmica que nos interessa. Podemos sim, anotar algumas coisas nesta primeira leitura:

1- o que está escrito sobre os endereçados? São judeus, gentios, ricos, escravos? Quais os seus problemas e atitudes?
2- as atitudes de Paulo
3- quaisquer coisas específicas na ocasião em que a carta foi escrita.
4- as divisões lógicas da carta.

Claro que, se mesmo isso for demais para esta primeira leitura, isto pode ser feito durante o estudo, depois da primeira leitura.

Com base na estrutura apresentada acima, podemos ter notado as seguintes coisas:

1-Os crentes coríntios eram principalmente gentios, mas haviam alguns judeus também (6:9-11; 8:10; 12:13). Gostavam de sabedoria e conhecimento (1:18 – 2:5; 4:10; 8:1-13; ). Eram orgulhosos e arrogantes (4:18; 5:2-6), até ao ponto de julgarem Paulo (4:1-5; 9:1-18)
2- A atitude de Paulo variou entre a repreensão (4:8-21; 5:2; 6:1-8), o apelo (4:14-17; 16:10-11) e a exortação (6:18-20; 16:12-14)
3- Vemos em 1: 10-12 que Paulo foi informado por pessoas da família de Cloé. Em 5:1 também nos diz informações relatadas. Em 7:1 vemos que Paulo havia recebido uma carta deles. Notamos também que haviam alguns itens nessa carta, conforme 7:25, 8:1, 12:1, 16:1 e 16:12.
4- Quanto às divisões lógicas da carta, vemos que 7:1 é a primeira vez que Paulo menciona a carta recebida. Neste caso, podemos supor que os capítulos 1 a 6 são respostas daquilo que foi relatado a Paulo. As frases introdutórias e os assuntos abordados nos dão base para propor as seguintes divisões:

ð o problema das divisões na igreja (1:10 – 4:21)
ð o problema do homem incestuoso (5:1-13)
ð o problema dos processos jurídicos (6:1-11)
ð o problema da fornicação (6:12-20)

A maior parte do conteúdo entre o capítulo 7 e o 16 é resposta à carta recebida, como podemos ver pela expressão usada por Paulo “Ora, quanto ao…”. Os itens que não são introduzidos por esta expressão são três: 11:2-16, 11:17-34 e 15:1-58. Talvez os itens do capítulo 11 também foram relatados a ele (ao invés de ter tomado conhecimento por meio da carta recebida), mas foram incluídos aqui porque tudo, desde o capítulo 8 até o capítulo 14 trata da adoração de forma geral. O capítulo 15 fica dificil saber se é uma resposta ao que foi relatado a ele, ou se é resposta à carta que mandaram. O versículo 12 não ajuda muito neste sentido, pois Paulo pode estar citando um relato, ou a carta deles.

Seja como for, o restante da carta pode ser facilmente esboçado:

ð o comportamento dentro do casamento (7:1-24)
ð as virgens (7:25-40)
ð a comida sacrificada aos ídolos (8:1-11:1)
ð as cabeças cobertas das mulheres na igreja (11:2-16)
ð os abusos na Ceia do Senhor (11:17-34)
ð os dons espirituais (12-14)
ð a ressurreição dos crentes (15:1-58)
ð a coleta (16:1-11)
ð a volta de Apolo (16:12)
ð exortações e saudações finais (16:13-24)

O único outro lugar nas cartas de Paulo que ele escreve em forma de resposta de itens independentes é I Tessalonicenses 4-5.

Vamos concentrar nossos estudos no problema da divisão na igreja: capítulos 1 – 4.

3 O contexto histórico de I Coríntios 1 – 4

Antes de mais nada vamos elaborar uma lista de atividades a fim de estudarmos cada uma das seções menores da carta:

1-     Leia I Coríntios 1-4 pelo menos duas vezes, em duas traduções diferentes. Isto o fará ver o panorama geral do trecho, e saber os argumentos usados.
2- Anote tudo que conseguiu achar sobre os endereçados e seu problema. Nesta etapa poderemos ser bastante detalhistas.
3- Anote as palavras-chave e frases repetidas de Paulo. Isto indica o conteúdo de sua resposta.

Uma das razões para escolhermos este trecho, além do sério problema de divisão que enfrentavam, o começo deste trecho parece não se encaixar no contexto. Notem que Paulo começa a expor a situação, o problema (1:10-12), porém, no começo de sua resposta, ele não continua se referindo ao problema (1:18-3:4). Apenas na conclusão, há a ligação do conceito de “sabedoria” e “gloriar-se nos homens”, que são as idéias chaves neste trecho, com o fato da divisão da igreja entre partidários de Paulo, Apolo e Cefas. Vamos ver como todas essas idéias se encaixam.

Para começar, Paulo diz claramente que eles estão divididos de acordo com seus líderes (3:4-9; 3:21-22; 4:6). Mas, a questão não era apenas uma mera diferença de opinião entre eles. Eles estavam realmente disputando entre si, um querendo ser mais que o outro (4:6).

Tudo isto parece estar bem claro, numa primeira visão. Porém, olhando com mais cuidado vemos que os problemas eram um pouco mais graves do que realmente parecia. Vejamos pelos menos duas coisas que ficam claras quando prestamos um pouco mais de atenção ao texto.

1-     Lendo 4:1-5 fica claro que havia uma queixa contra o próprio Paulo. Ou seja, não era apenas uma questão de prefer6encia entre Paulo ou Apolo, mas havia os que eram contra Paulo e os que eram a favor de Paulo.
2- A palavra chave neste trecho é sabedoria ou sábio. Ela ocorre 26 vezes entre os capítulos 1 a 3, e apenas 18 vezes no restante das cartas de Paulo juntas. Deus deixou a sabedoria do mundo de lado (1:18-22; 1:27-28; 3:18-20). Cristo, por meio da cruz, se tornou sabedoria da parte de Deus (1:30). Esta sabedoria é revelada pelo Espírito, para aqueles têm o Espírito. O emprego da palavra sabedoria, neste argumento, nos faz pensar que Paulo fazia parte do problema. No mínimo podemos supor que, em nome da sabedoria, os coríntios estão levando sua idéia de divisão à frente. Como eles eram muito cultos e filósofos, tinham uma idéia da fé cristã como sendo uma nova “sabedoria divina”, e julgaram Paulo de acordo com esta sabedoria puramente humana.

Com base na resposta de Paulo podemos enumerar três coisas:

1-     3:5-23 mostra que os coríntios entenderam de modo errado a função da liderança na igreja.
2- De acordo com 1:18 a 3:4, eles entenderam de forma errada a natureza básica do evangelho.
3- Com base em 4:1-21 seu modo de julgar a Paulo também estava errado.

Feitas estas distinções podemos agora nos concentrar na análise da resposta de Paulo.

4  O contexto literário

O próximo passo então é seguir a argumentação de Paulo em I Coríntios 1:10 – 4:21 parágrafo por parágrafo, e em uma ou duas frases explicar cada parágrafo dentro do argumento todo de Paulo. Algumas perguntas precisam ser feitas neste estágio:

1- Resumidamente, o que Paulo diz neste parágrafo?
2- Por que Paulo diz isso?
3- Como este conteúdo contribui com argumento todo?

Para ilustrar, vamos tomar a parte principal da resposta de Paulo, que se encontra em 3:5-16. Até aqui Paulo havia dito que a essência do Evangelho, um Messias crucificado, era contrária à sabedoria humana (1:18-25); assim como a escolha deles para pertencerem ao povo de Deus. É como se Paulo estivesse dizendo, em outras palavras: “Quem, em nome da sabedoria humana, teria escolhido vocês para se tornarem povo de Deus? “.

Notem que Paulo trata o poder de Deus também como sabedoria (2:1-7). Porém é uma sabedoria revelada por Deus, não descoberta pelos homens, para quem tem o Espírito de Deus (2:6-16). Neste ponto, Paulo faz um apelo, pois eles têm o Espírito de Deus, então deveriam parar de agir como aqueles que não possuem o Espírito de Deus.

Agora, como os parágrafos que se seguem funcionam neste argumento de Paulo?

1-     3:5-9

2-

Trata da natureza e da função dos líderes da igreja. Paulo diz que são meros servos, e não senhores. Nos versículos 6 a 9 ele ensina duas lições:

Œ Tanto Paulo quanto Apolo estão unidos numa coisa comum, única, mesmo que suas tarefas sejam diferentes.
 Tudo e todos pertencem a Deus – a igreja, os servos e o crescimento.

2- 3:10-17

A lição aqui é como será edificada a obra, que pode ser para o bem ou para o mal. Aqui, o que está sendo edificado é a igreja. Aqueles que dirigem a igreja devem fazer com cuidado, pois a provação se aproxima. Edificar a igreja com sabedoria humana, com eloquência que contorna a cruz de Cristo é edificar com feno, palha ou madeira.

A lição de Paulo neste contexto é expressar aos coríntios que eles são o templo de Deus naquele cidade, em contraste com os outros templos pagãos existentes. O que os tornava templo de Deus ali, era o fato de vivierem em comunhão com o Espírito Santo. Porém, por causa das divisões eles estavam destruindo este templo (a Igreja), que era sagrado para Deus.

Vamos rever as bases do argumento de Paulo, que neste ponto se completou:

ð Paulo desmascarou a compreensão incorreta que os coríntios tinham do evangelho.
ð Paulo desmascarou a compreensão incorreta que os coríntios tinham da liderança da igreja.
ð Paulo advertiu os líderes, bem como a própria igreja sobre o julgamento divino contra os que promovem divisões.

E no final (3:18-23), Paulo junta todos os temas abordados nesta argumentação, como uma conclusão.

5  Reforçando

A fim de adquirirmos prática, vamos ver uma passagem fora de I Coríntios, mas que também fala sobre a falta de união na igreja.

Leiamos Filipenses 1:27 – 2:13.

Vamos fazer uma rápida revisão de Filipenses:

ð Paulo está na prisão (1:13-17)
ð Igreja de Filipos enviou uma oferta através de Epafrodito (4:14-18)
ð Epafrodito ficou doente e a igreja se entristeceu (2:25-30)
ð Deus o poupou e Paulo o envia de volta (2:25-30)
ð Epafrodito volta com a carta para os Filipenses a fim de:

Œ Contar aos membros como ele está
 Agradecer-lhes a oferta
Ž Exortá-los a viver em harmonia (1:27 – 2:17; 4:2-3) e evitarem a heresia judaizante (3:1 – 4:1)

Notem que até o versículo 26 Paulo está falando sobre ele mesmo, como está na prisão. Mas no versículo 27 ele muda o contexto para os filipenses. Qual é então a razão de ser de cada parágrafo nesta seção?

O primeiro parágrafo, 1:27-30, começa a exortação. A lição, o resumo parace ser a que lemos no versículo 27: “ficar firmes num só espírito”. Ou seja, uma exortação à união, pois estavam enfrentando oposição.

Como que 2:1-4 se relaciona com a união? Primeiramente Paulo repete a exortação, porém a lição aqui é que a humildade é a atitude para os crentes viverem em união.

Qual é a lição no parágrafo 2:5-11? Jesus em sua encarnação e morte é o exemplo máximo de humildade que devemos ter.

E por fim, qual a lição de 2:12-13? Esta é claramente a conclusão. Notem as expressões nas diversas traduções da Bíblia: “Assim pois”, “Portanto”, “De sorte que”. Tendo o exemplo de Cristo, devem obedecer a Paulo. Em que? Em terem unidade, que também requer humildade.

Concluída esta análise, podemos verificar que o problema de união em Filipos era, com certeza, muito menos grave do que em Corinto.

6 As passagens problemáticas

Até aqui vimos o processo normal de análise de um texto. Vimos como fica mais fácil se lemos a passagem em parágrafos. Mas, existem textos que em uma primeira análise nos parece dificil, e até mesmo contraditório. O que fazer quando nos deparamos com passagens como estas:

o significado de “por causa dos anjos” em I Coríntios 11:10
“os que se batizam por causa dos mortos” em I Coríntios 15:29
Cristo pregando aos “espíritos em prisão” em I Pedro 3:19
o “homem da iniquidade” em II Tessalonicenses 2:3

1- Em muitos casos a razão dos textos nos parecem tão difíceis é que não foram escritos diretamente para nós. Ou seja, o autor e seus leitores estavam sintonizados, tinham a mesma cultura, desta forma o escritor podia pressupor algumas coisas por parte de seus leitores. Um exemplo é quando Paulo escreve aos Tessalonicenses : “Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas…”. Então, muitas vezes, também devemos nos contentar em saber aquilo que Deus quis nos revelar, aquilo que Ele quer que saibamos.

2- Mesmo que não saibamos o trecho específico, muitas vezes a lição do parágrafo ainda está ao nosso alcance. Então, seja o que for que levou os coríntios a se batizar em nome dos mortos Paulo os ensina que eles não estavam sendo consistentes ao rejeitarem uma ressurreição futura dos crentes.

3- Quanto às incertezas de determinado trecho temos aque aprender a perguntar o que pode ser dito sobre o mesmo com certeza, e aquilo que é possível, mas não certo. Na passagem do batismo pelos mortos a certeza que temos é que isto estava sendo realizado, e Paulo simplesmente se refere a ela.

4- Nestes casos sempre será necessário consultarmos um bom comentário bíblico. Consulte vários, talvez você não concorde com aquele autor especificamente, mas é sempre bom conhecermos todas as opções dadas a determinada questão.

No mais, até mesmo os mais estudiosos nunca terão todas as respostas. E em parte isto é bom para que conservemos nossa humildade e para que reconheçamos e experimentemos a verdade de Deuteronômio 29:29.